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9º PORTUGAL Lés-a-lés |
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1ª Etapa - Sexta-feira, 8 de Junho - Arcos de Valdevez - Marvão O alvoroço da partida, o barulhinho das cinquentinhas e das primeiras máquinas acordou-nos (obviamento o Ernesto não largava o microfone, diga-se de passagem que a voz dele se ouvia num raio de 5km). Deviam rondar as 6:00, a partida da nossa equipa estava marcada para as 07:55. Desmontamos a tenda e de volta às nossas montadas, eram 07:50 quando estavamos na "grelha de partida", aguardar a nossa subida ao palanque. Foi-nos entregue uma sande e garrafas de água que provaram ser um pequeno-almoço fraquito (valeram os snacks de cereais que levava para emergências como esta). |
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As colchonetes tem sempre um inconveniente, existe sempre uma pedra ou um pequeno ramo, que toda a noite nos atormenta as costas, e não há maneira de o evitar, quase como uma pequena pedrinha num sapato que nos atormenta. Poucas horas dormi, mas acordei com garra. Apenas aí é que me apercebi que existiam muitas tendas montadas, e não é qualquer um que tem a oportunidade de acampar num local tão agradável como este, com o melodioso rio mesmo ao lado... |
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Iniciando a viagem, tivemos um dia um pouco cinzento, o que até foi bastante agradável pois permitia rolar com uma temperatura bastante aceitável sem que o calor fosse incomodativo. Fizemos uma manhã com bastantes paragens, sem olhar muito para o tempo, com bastante calma sem exageros. Cada um tinha o seu road-book na mala de depósito, uma com as páginas pares outro com impares, tendo que parar para trocar a página a cada duas páginas corridas. O meu primo com a sua CBR anda mesmo devagar (e não estou a ser irónico), ele ia a aproveitar o passeio com um ritmo muito muito lento... Era o nosso 1º Lés-a-lés e também não tinhamos a certeza qual era o ritmo necessário... |
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No Norte do país temos
direito a paisagens verdejantes a perder de vista, existem em locais
distantes de tudo igrejas com uma arquitectura lindissima e histórias
que só o José Hermano Saraiva saber contar. No monte de Santo António em
Mixões da Serra, existe uma igreja lindissima, onde são levados os
animais a benzer todos os anos, tradições que se vão mantendo... A
escadaria também tem uma história engraçada, julgo que as pegadas de um
animal ficaram cravadas numa enorme pedra no topo do monte. |
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Após passar na ponte sobre
o rio Homen, uma subida só para quem tem unhas! Não parece mas era muito
inclinada e em terra solta, a NX4 cheia de saudades de trilhos lá foi. O
peso não estava nada bem distribuido e não foi assim tão fácil, e com a
ajuda de um companheiro bem disposto a equilibrar (empurrar) lá subiu
tudo e só me deixou ficar um bocadito mal... |
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Finalmente chegaram os
trilhos de terra!!! |
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A barragem da Caniçada é realmente imponente! Tivemos que aguardar alguns minutos até o semáforo ficar verde... Sempre deu para "regar umas platinhas" e tirar algumas fotos. Estavamos no concelho de Amares, e tinhamos percorrido cerca de 50km apenas neste dia. As centenas de curvas e contra-curvas diziam que eram bem mais que 50k, mas os conta-quilometros não mentiam... Voltando novamente a trilhos de terra, faziamos fila de espera para que os mais lentos como as R's e as customs os passassem, no entanto, foi aqui que tive que ajudar uma Varadero... |
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Fiquei feliz pelos simples
150kg da NX4, e passei o obstáculo sem dificuldade. Alguns km's depois
passei por um acidente de um dos participantes, estavam todos bem, mas
arrepiei-me e fiquei algo assustado de ter visto a mota destruída. Era
bom que corresse bem a toda a gente, e que chegassemos ao destino final
sem incidentes para contar. Fizemos passagens por Vieira do Minho,
Rossas, Aboim, entre outros locais fantásticos! Quem dera parar em
todos... |
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Após a paragem para a foto
no rio Tâmega, era a minha página do Road-book, aproveitei para acelerar
um pouco mais em terra para tirar umas fotos aos trausentes que lá
paravam. Não deve ser nada agradável ir ao lado num side-car, é preciso
acompanhar as curvas com o corpo e tal como o condutor nunca podemos
estar desconcentrados. Pelo meio da vinhas, sentiamos o verão ainda mais
próximo e o calor por esta hora já apertava forte, tive que parar para
retirar o forro ao casaco. Algumas imagens, vistas de relance mais
pareciam uma miniatura de uma linha de comboio, com os túneis e aspecto
velho das linhas como pormenor. Chegou mesmo a chuviscar quando
rolavamos junto ao Douro, até deu para refrescar um pouco. |
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Yuppiieee!!!! |
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Refeições não faltavam, e
felizmente deixaram repetir. Carne de porco muito bem servida, bem como
os acompanhamentos. Os cozinheiros não tinham mãos a medir, cheios de
calor e incansáveis serviram sempre com um sorriso, e dispostos a ouvir
os "lamentos" dos participantes que já acusavam algum cansaço neste
momento. |
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Barriga cheia e pernas relaxadas, seguimos caminho em direcção à Serra da Estrela, sendo a próxima paragem oficial em Gouveia. Entretanto encontramos algumas boas rectas e algum descanso na condução, chegando ao Dão (estou a falar do rio, não do vinho) encontramos algumas curvas mais apertadas e novamente uns trilhos de terra. Após a ponte românica havia novamente fila de espera para uma subida manhosa, a NX4 passou sem dificuldades, mas tive que voltar para empurrar a CBR e uma AfricaTwin de uma "menina" que estava em apuros. Chegando ao topo, fomos picar o ponto, e aproveitando para tirar umas fotos ao percurso efectuado já se espreitava o cansaço nos mototuristas. Qualquer paragem, por mais pequena que fosse era aproveitada para esticar os ossos e recarregar alguma energia. |
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O tempo estava a escurecer um pouco e decidi parar para vestir as calças de chuva, o percurso estava a ser mais calmo, sem tantas curvas apertadas e entre aldeias muito agradáveis. Ao entrar no Parque Natural da Serra da Estrala, seguimos pela calçada dos galhardos, uma estrada em terra e gravilha, onde tivemos o azar de começar a chover torrencialmente. Coloquei a cobertura no saco de depósito em andamento embora já tivesse meio encharcado. No planalto, além da chuva começou a trovejar. Viamos os raios ao nosso lado, e cheguei a ter algum receio, sabendo que estavamos no alto, encharcados até ao tutano sem pára-raios, árvores, ou postes metálicos que nos safassem... Alguns quilometros depois chegamos a Gouveia e respirei novamente. O lanche estava no fim e praticamente só havia pão, serviu o tempo de paragem para a chuva acalmar e secar minimamente o equipamento. Seguimos em direcção à torre já sem chuva, mas com muito frio, na torre estavam menos de 6º! Caiu um nevoeiro na torre que nos obrigou a seguir em fila durante dois quilometros. |
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Estavamos em estradas mais abertas, mais rápidas e mais próximos do Marvão. Neste momento sentia-me literalmente estourado, com dores de costas, ombros, pulsos, e o meu rabo já não tinha posição possível no banco! Neste momento, custava passar cada quilómetro, e estava a ser algo penoso. A embraiagem da NX4 é algo dura, e procurava evitar ao máximo mexer na caixa, no entanto é uma mota com uma relação muito curta que não me deixava grandes alternativas. |
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Deviam rondar as 22:00
quando passamos em Nisa, já noite cerrada, que nos obrigava a parar as
motas para ler o percurso. Estava tão cansado e estourado que julgo ter
chegado a lacrimejar com dores. Pensei seriamente em terminar o lés a
lés por aí... As últimas curvas custaram imenso, mas entretanto vi o
castelo do Marvão ao longe... Quando aí cheguei, passou tudo! Subir ao
palanque foi delicioso, ter a noção que 50% já está foi realmente um
alívio. Como já passavam das 23:00 a fome já era muita e a feijoada
(literalmente feijão com feijão), sem grande aspecto e sabor soube que
nem ginjas! Não foi tão agradável assim durante a noite, pois fez
realmente efeito, o que valeu foi dormir de tenda aberta com boa
circulação de ar... As Honda Monkey já tinham chegado ao Marvão, aquelas
pequenas máquinas de guerra impressionaram todos, pois conseguiram sem
dificuldades manter sempre o mesmo ritmo. |
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