9º PORTUGAL Lés-a-lés

 

2ª Etapa - Sábado, 9 de Junho - Marvão - Faro

Foi uma excelente ideia ter montado a tenda na zona de areia do parque infantil! O conforto da noite foi excelente, sem ramos pedras, ou algo incomodativo. Mas só aí é que vi que tinha adormecido de botas calçadas... Não é fácil, sobretudo não ter um colchão e uma boa almofada após todo o esforço do dia anterior. O entusiasmo com que acordei foi superior a isso, e embora estivesse fisicamente cansado sentia-me cheio de energia e vontade para continuar esta jornada. Cometemos um erro no dia anterior, que foi rolar com muita calma e muitas paragens (embora pequenas), tinhamos chegado com cerca de 3 horas de atraso. Obviamente o meu primo ter perdido a chave durante a hora de almoço no dia anterior também ajudou... Mas pelo menos encontrou-a dentro do fato integral meia hora depois. Antes isso que ficar a viagem por ali.

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O cansaço era tanto que devo ter demorado mais de quinze minutos para conseguir ver qualquer coisa sem ser desfocado. O fontanário não chegou para tomar banho, mas deu para a higiene mínima. Metemos conversa com os vizinhos do lado do acampamento, que iam partir mais tarde que nós, mas continuavam com o mesmo espírito inicial que é pedido num lés-a-lés, companheirismo e dedicação.
O Marvão é lindissimo, embora não seja considerado uma das 7 Maravilhas de Portugal, vale bem a pena visitar o seu esplendor, o centro do castelo e as paisagens em redor fantásticas. Já agora, quantos terão oportunidade de dormir dentro do castelo do Marvão como eu tive? :p eh eh eh

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Aproveitando a manhã ainda com algum tempo disponível, percorri todo o castelo tirando fotos e exercitando os músculos. A foto do lado direito foi mais tarde publicada na revista Moto Compra e Venda (julgo eu), a piada foi ter lido o artigo e pensar "que engraçado! Tirei uma foto quase igualzinha a esta..." Peguei no computador, e não é que era a mesma foto??? Isto de disponibilizar as fotos na internet  com qualidade dá nisto. Podiam pelo menos ter enviado um mail de agradecimento... Ainda estou à espera!


Ida ao café por questões estritamente necessárias, um café, duas garrafas de água para a viagem e lá fomos esperar a vez para o palanque a 5 minutos da nossa partida. Aqui houve uma falha grande na organização da partida... Muita gente e pouco espaço, e muitos mototuristas entusiasmados pela partida, não queriam esperar a sua hora de saída, querendo sair largos minutos antes da sua hora marcada. Deu em confusão geral, até que começaram a despachar esses apressados que não pareciam entender o espírito do LAL, é pena...

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Nem só este incidente foi devido a má organização, mas essencialmente falta de paciência dos participantes que se colocaram a ocupar espaço, não deixando uma via central livre para os números que estavam a ser chamados. Um ponto que correu extremamente bem nos Arcos de Valdevez falhou em grande escala aqui. Quero acreditar que fosse por cansaço de todos... Ainda deu para um participante com um número bem acima do 300 passar por todos e arrancar a seu belo prazer, acertando com a mala lateral no pisca da CBR do meu primo deixando-o meio arranhado (relembro que o número da minha equipa era o 232 o que significava que ele ainda deveria demorar pelo menos mais 30 minutos). Assim como ele muitos arrancaram e tive uma sensação de pena e revolta de não entenderem o verdadeiro significado deste evento.
Para os que esperaram, o Ernesto lá estava, rouco e sem voz (pudera...), com uns cartazes já escritos para dar a notícia que foi alterado o local do almoço. Ainda teve força suficiente para chamar um nome algo desagradável em voz bem baixa, ao responsável pela alteração repentina. Apoiamos-te Ernesto!

Com um céu bem azul, e um dia que prometia boas curvas, arrancamos... Este dia prometia menos curvas, mais rectas e boas planícies para revitalizar o corpo e mente. Qual Red-Bull, qual quê!!!

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Ainda não consegui descobrir se a "pintura"  das árvores existe por motivos de facilitação visual da estrada, ou se é apenas para tratamento (adubo) das mesmas. Quem me explica? Continuo intrigado!

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Já passei várias vezes nesta estrada, sempre em trabalho, destava vez em lazer parei para fotografar as árvores de fraldas conhecidas para diversos reclames de automóveis. Lembram-se do Volvo a levantar as folhas de Outono nesta estrada? Reclame divinal onde a imagem em movimento aparentava um muro fixo.

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Por Alegrete e Arronches, este novo dia, mais parecia um novo país, tudo diferente, muitas planicies e um tom torrado com todos os sobreiros bem alinhadinhos, estas duas vilas muito pacatas tem um cheirinho de Marrocos.  Já sentiamos o calor e sol do Algarve, a chuva do dia anterior acordou os mosquitos que se escarrapachavam em nuvens no capacete...

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Elvas é mais pacata ainda do que pensava... Pouca gente numa cidade organizada e limpa, com boas estradas e sinalização. Atravessamos pelo meio do aqueduto, sem chegar a ter Badajoz á vista.
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Bons trajectos, bem calmos chegamos a Ajuda, onde a antiga ponta sobre o Guadiana foi destruida em 1801 para evitar a entrada das tropas na famosa Guerra das Laranjas. Como se ouve dizer "Olivença será nossa outra vez!", estava já do outro lado do rio. Aproveitando o passeio até à ponte destruida, sempre esticamos as pernas, lá no fim, estava o MC de Almada para a habitual picagem de ponto. Muitos, com a pressa perderam o passeio a pé bem como o ponto de controlo...
Na entrada de Olivença pela "Puerta del Calvário" encontramos as 5 quinas portuguesas, bem como os nomes das ruas e a arquitectura do resto da vila. Se não fossem as matrículas dos automóveis sentia-me em Portugal, pois em tudo é semelhante. A Polícia Espanhola tratou-nos lindamente, tendo diversos agentes espalhados, indicando-nos o caminho por ruelas, sentidos proibidos, vias proibidas a veículos. Impressionante a sua boa organização e as suas "boas-vindas". Afinal de contas convinha demonstrar a sua eficiência, merecendo o mesmo respeito quando forem convidados de Portugal.
Uns bons kms realizados por Espanha, fomos ao local onde foram encontrados os restos mortais do general Humberto Delgado: "Estou pronto a morrer pela Liberdade". E não é que morreu mesmo?
Aproveitando a liberdade de preços de combustíveis, todos os postos de abastecimento encheram-se de motos Tugas, aproveitando o desconto que sempre dá para um pequeno-almoço. As estradas em Espanha são excelentes, com bons traçados e pisos, com muita atenção aos limites de velocidade impostos...

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Só olhando pela mudança de piso é que descobrimos que estavamos de volta a Portugal. Olhando para o espelho estava uma placa a dizer Espanha (a dizer Portugal, nem vê-la). Alguns kms depois, tivemos que atravessar o rio Ardila. À moda antiga, uma longa fila de espera se formou, parecia que iamos pagar o IRS...

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A NX4 atravessou a brincar, a CBR tremia que nem varas verdes, mas passou após molhar bastante bem os pés. Felizmente não vimos nenhum motard a cair. Os grandes tractores (Goldwing e companhias) passaram com difuldades mas com pessoal ajudar, devagarinho, e já cá estavam todos deste lado. É de referir que a Piaggio MP3 atravessou a brincar, acho que com facilidade deve dar para adaptar uma hélice e adaptar em scooter-barco. Foi um espectáculo!

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Após um almoço bem servido no pavilhão de exposições "não sei de onde" (julgo que seria Moura) comemos bem e demos graças a um merecido descanso. O sul permite rolar com muito mais tranquilidade com boas rectas de boa visibilidade e paisagens novamente fenomenais. Não sabia bem porquê mas a minha máquina fotográfica estava a tirar as fotos com uma cor meio esquesita (isto de ter ficado molhada na serra da estrela não está com nada!). Paisagens fantásticas e calor tórrido apetecia parar para dormir a sesta... Qual é que seria o mal? No Alentejo sê Alentejano!!! Chegada a S. Domingos da Serra, só apetecia dar um mergulho, uma paragem para ver as antigas instalação em degradação total, e continua a viagem...

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Ao chegar ao Guadiana, voltamos ao "norte" do país, mais verdejante com muitas curvas e um trajecto mais rigoroso. A partir deste ponto notei que as motas começavam a rolar em grandes grupos, sem haver momentos a sós. Alguns utilizavam uma estratégia de ultrapassar tudo e todos para parar alguns segundos mais à frente, mas a maior parte mantinha o mesmo ritmo, calmo e constante. Foi a forma mais adequada para se controlar a energia dispensada, mantendo os niveis de esforço sobre controlo. À beira do Guadiana tivemos direito a garrafas de água e creme solar. Não era muito bonito, mas provou-se eficiente relativamente a queimaduras solares. Mais uma agradável paragem, antes de pisos de gravilha complicados.

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Entre boas estradas de alcatrão também tivemos bons caminhos de terra, acessíveis a todos. Eram dezenas as lebres que atravessavam a estrada, quase pedindo para ser atropeladas, outras, imitando os golfinhos iam a correr pouco à frente da mota a mais de 50km/h! As fotografias foram em vão, pois quando tinha a máquina preparada, já elas estavam escondidas... Coloquem uma tartaruga ao lado e venham contar-me uma história... Após a travessia do Rio Vascão um grande grupo andou perdido, incluindo a minha equipa, ainda perdemos aqui mais de 30 minutos. Resultado, dividimo-nos nos 3 caminhos possíveis tendo voltado um do grupo que teve sucesso, e lá seguimos viagem.

PICT3193.JPG (99658 bytes) Chegado ao alcatrão, já tarde, partimos em direcção a Faro, conforme mandava o road-book. Chegada a Faro, estava a noite a cair, e a confusão era imensa. Muitos enlatados de férias atolavam as estradas a o próprio LAL não veio ajudar. Subida ao palanque e pose para a foto, dei um cumprimento apertado ao meu primo. Estava feito... PICT3194.JPG (112099 bytes)
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Mais uma vez..., feijoada para o jantar! Uma sopa bem quente e pão que baste para encher o estômago. Lábios secos, ombros espalmados, dedos doridos, rabo pisado, pescoço pesado, entre outros sintomas de dor foram todos esquecidos. Fomos buscar os brindes de chegada e ainda aproveitamos para nos rirmos um pouco com a banda do momento! A banda era mesmo muito má, rasgando boas e médias músicas, mas era o que havia. O Motoclube de Faro provou que está habituado a organizações a sério e este evento foi só uma preparaçãozinha de aquecimento para a concentração de Faro.


Volta a casa... - Domingo, 10 de Junho

Devia ser 01:00 quando começamos a pensar na viagem de volta, se ficariamos para o dia seguinte ou arrancavamos no momento. Perguntamos a um membro do Motoclube de Faro sobre parques de campismo, onde ele prontamente ofereceu espaço e duches no oásis de Faro, ainda estavam em preparativos mas disponibilizavam as condições mínimas. Pessoal espectacular este!
No entanto, como tinha uma comunhão de um primo no dia seguinte, e o companheiro de equipa queria chegar a tempo de ver o MotoGP, decidimos arrancar directo em direcção ao Porto. Estavamos a cerca de 600km de casa... Como não há dinheiro para tudo, optamos não ir sempre em auto-estrada. Fomos pela IC1 até Santarém onde entramos na auto-estrada. Algumas dezenas de kms depois de Faro, já estava com muito sono, o que me obrigou a parar em quase todas as estações de serviço que se encontravam abertas. Numa delas decidi ir à casa de banho e sentar-me, de forma a "relaxar", descansar as pernas e fechar um poucos os olhos. Terminando o serviço, fui abrindo os olhos, quando comecei a rir-me e a perguntar-me porque raio de razão estariam embalagens OB numa casa de banho, perguntando-me quem seria o gajo que andava com semelhante artigo no bolso. Neste momento alguns neurónios acordaram e perguntaram-me se eu tinha mesmo a certeza sobre a casa de banho onde estava... Hellllooooo!!! Efectivamente aparentava ser tudo muito limpo, bem mais do que o normal! Sai da casa-de-banho e verifiquei que não haviam urinóis, apercebendo-me da dura realidade de que me encontrava na casa de banho das senhoras. Contudo, saí com calma e ri-me da situação. Continuando caminho, a IC1 fez-se com facilidade. Boa estrada, curvas sem viaturas nenhumas, compensou bastante para quem não tinha mota que andasse a mais de 120km/h.
A alguns kms de Santarém a cabeça começou a pesar bastante, chegando a "adormecer acordado", embora os olhos estivessem abertos, cheguei a perder noção da distância/tempo, acordando apenas em cima da rotunda, obrigando a um desvio perigoso. Continuei cansado, mas sem mais sustos do género. Prometi que não faria mais uma viagem destas, conduzindo toda uma noite após um dia inteiro de viagem.

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As nuvens de mosquitos perseguiram-nos toda a viagem, e só havia duas soluções, fechar o capacete ou comer mosquitos (literalmente, cada vez que bocejavamos). Aproveitando as paragens para limpar a viseira, sempre permitia ver qualquer coisa além... Chegamos a dar banho às motas numa área de serviço, mas apenas durou 2 minutos... até à nuvem seguinte.

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A entrada na portagem de Santarém foi feita de dia, que começou cedo, a partir daí fui a impor ritmo até casa, seguindo pela A1 até Estarreja e fazendo o resto do percurso pela A29. Foi sempre abrir! Diga-se... 130km/h de máximo, que a NX4 cansada, cheia de peso em contra-vento raramente dava mais. Portou-se lindamente a minha menina! Chegada a casa deviam rondar as 08:30... Fui deitar-me 2 horitas até à comunhão...

 

 
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Terminado o Lés-a-lés, sinto-me orgulhoso por ter percorrido todo o percurso, seguindo o road-book, sem fugir às regras. A minha equipa demorou bem mais que o previsto nas duas etapas, mas não cometemos exageros, nem cortamos caminho, aproveitando todos os detalhes que este passeio tem de bom. Para o ano estaremos lá novamente... MISSÃO CUMPRIDA.

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